The Byun Shi-Ji Atlas WORKS · FŪDO · LANGUAGES
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BYUN SHI-JI · FŪDO 047

Aldeia à beira-mar

Sea Village

2002 · Jeju, late period

Byun Shi-Ji, Sea Village, 2002, Jeju Fūdo painting

Texto da obra

O último verso fica aberto, sem ponto final.

À esquerda,
um cavalo.

À direita,
um boi.

O cavalo
é animal do vento.

O boi,

animal da terra.

O cavalo
ergue a cabeça
e olha para além do horizonte.

O boi
baixa a cabeça
e olha a terra
sob as patas.

Um
é a vida que parte.

O outro,
a vida que fica.

O cavalo
volta-se para aquilo
que ainda não chegou.

O boi
guarda o lugar
já dado.

Mas uma aldeia
não pode viver
só de partidas.

E a vida
não continua
só ficando.

Alguém deve sair
para o mar.

Alguém deve guardar
a terra do regresso.

O cavalo
vai para a possibilidade.

O boi
carrega a duração.

Tirando do mar,
recolhendo da terra,

a aldeia de mar
vive entre a partida
e a espera.

Um só sol
nasce igual
sobre ambos.

E uma pequena barca
vai para o lado
que o cavalo olha.

O boi,
com a cabeça ainda baixa,
guarda a terra
onde essa barca
voltará a aportar.

A vida
não é escolher
entre partir
e ficar.

Só porque alguém fica,
outro pode partir.

Só porque alguém
guarda o lugar,
outro pode voltar

Contexto-chave

Byun Shi-Ji foi um pintor coreano moderno e contemporâneo que tratou o Fūdo de Jeju não como cenário, mas como condição da existência. Solidão, espera, vento e a cor da erva seca formam um modernismo coreano glocal, enraizado no lugar e aberto ao mundo.

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